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Análise : Maneater

Maneater não é necessariamente aquele jogo que fica no radar dos jogadores, sendo aguardado com ansiedade e hypado em trailers, eventos e conferências mundo afora. No entanto, o trabalho da produtora TripWire surpreende pela originalidade e pela diversão que entrega.

O jogador assume o papel de um filhote de tubarão da espécie cabeça-chata e parte numa jornada de crescimento, evolução e busca por vingança. Afinal, o vilão da história é o caçador Scally Pete, que não só caça e elimina a mãe do tubarãozinho – após fazê-la dar à luz à cria de maneira brutal – como marca o filhote com um corte de faca, para que ele o encontre e termine o trabalho posteriormente (depois de ter uma de suas mãos devidamente devoradas pelo rebento tubaríneo).

Estrutura de TV Show

A originalidade de Maneater reside principalmente na forma como esse enredo se desenrola. Há um narrador, que glorifica as ações de Pete e acompanha sua caçada em tons dramáticos e tomadas de câmera documentais. Quase como se fosse um programa da National Geographic.

Outro detalhe interessante é que enquanto a campanha se desenvolve controlando o tubarão, a história é narrada pela perspectiva do caçador, gerando reflexões sobre as múltiplas formas como um acontecimento pode ser vivido e relatado.

Proposta simples e divertida

Em Maneater o objetivo é simples: sair tocando o terror, seja no fundo do mar ou na superfície. Sob a água, há várias espécies de peixes para devorar, mas também ameaças como crocodilos, baleias assassinas, cachalotes e até outras espécies de tubarão como inimigos.

Mais acima, você poderá se banquetear com seres humanos nadando incautos, passeando de jet ski ou mesmo na areia, em que, por um tempo limitado, o jogador pode sair cravando o dente em todo mundo, antes de voltar para a água – o fôlego é limitado fora do habitat natural do tubarão.

A jogabilidade é simples, são poucos comandos, e os controles respondem muito bem. Há uma árvore de habilidades para evoluir a sanha assassina do seu tubarão, nada muito complexo nem muito longo: é possível progredir no assassínio antes mesmo do final da campanha – que dura pouco menos de 10 horas.

O maior desafio mesmo são os caçadores humanos, que funcionam como os chefões do game. Eles vão ficando mais precisos e resistentes a cada nível, e aparecem cercados de um número cada vez maior de comparsas. Não é uma dificuldade nível Battletoads, mas também não espere algo como mel na chupeta.

Visual com crítica ambiental

Em termos técnicos, os gráficos de Maneater são competentes, considerando que não é um jogo de dimensão AAA em valores de produção. Especialmente no fundo do mar, há locações muito bonitas e inspiradas artisticamente.

Também há uma subcamada de crítica à degradação ambiental, pois vários cenários do jogo, que variam entre praias, pântanos, fundo do mar etc., são carregados de lixo como pneus, detritos industriais, dejetos domésticos entre outros. Há certas partes que são mesmo inexploráveis tamanho o volume de entulho acumulado.

Nem tudo são algas (ou flores)

O ponto fraco de Maneater fica por conta do roteiro repetitivo de missões. Depois de um tempo, fica cansativo ficar devorando ondas de 10 subtipos de peixes ou grupo de seres humanos, apenas para estender a duração do jogo, sem um propósito muito claro em relação ao enredo.

Conclusão

Maneater é um jogo divertido, original, e que ainda possui uma carga de crítica à degradação ambiental do planeta. O roteiro de missões é um tanto repetitivo, mas valem a pena para evoluir as habilidades do tubarão até o final. Vale ressaltar o trabalho de localização, apesar de alguns erros de texto, com legendas e dublagens em português do Brasil.

*Esta análise foi feita com uma cópia digital para PS4 cedida como cortesia pela Deepsilver, por meio de seu time brasileiro.

Veredito

Maneater

  • Lançamento: 22/05/2020
  • Desenvolvedora: TripWire
  • Publicadora: Deepsilver
  • Plataformas: PS4, Xbox One e PC
  • Genêro: Ação e Aventura
Renan Martins
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