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Análise: Resident Evil 3

Seria tarefa fácil para Resident Evil 3 sagrar-se um sucesso de crítica e público após a estrondosa aclamação do remake de Resident Evil 2, certo?

Senta lá, Cláudia.

Nesta reimaginação – como a Capcom tem se referido aos remakes dos títulos clássicos – a ação e o ritmo acelerado se sobrepõem aos elementos de terror e suspense, mais acentuados no jogo do ano passado. O conteúdo também é mais enxuto, resultando numa sessão de gameplay mais curta do que de costume numa campanha de Resident Evil antigo, embora não tão breve que não empolgue suficientemente.

De qualquer forma, a abordagem da Capcom com mais “senso de urgência”, minimizando a quantidade de puzzles, não caiu no gosto de boa parte dos fãs que saudou entusiasmada o retorno à melhor forma no game anterior.

Resident Evil 2 respeitou a atmosfera de filme de horror do original de 1998, expandiu cenários e história, atualizou o gameplay e entregou um desafio à altura de um verdadeiro jogo de sobrevivência, com munição e recursos escassos. Uma obra-prima contemporânea imediata.

Sob a batuta de Masachika Kawata, produtor conhecido por ousar mais com a série – responsável, entre outros, pelo controverso Umbrella Corps e o inovador Resident Evil 7 – o roteiro de Resident Evil 3 é mais linear, reinterpreta bem as locações do game original, mas deixa muita coisa de fora – como a famosa torre do relógio.

Em RE 3 Jill Valentine está em fuga de Racoon City, após passar um período trancafiada em seu apartamento, tentando descobrir as relações do incidente da mansão Spencer (Resident Evil 1) com a empresa de pesquisa biológica Umbrella e as autoridades da cidade.

Essa premissa simples dita o ritmo sem rodeios que predomina no game – e que incomodou muita gente. Ainda assim, a abertura é uma das mais imersivas já registradas na série, com pitadas de suspense e ação e toda a riqueza de detalhes proporcionada pelo motor gráfico RE Engine, que mais uma vez entrega um excelente trabalho.

Essa primeira parte, que se passa nas ruas infestadas, é a que mais lembra os episódios originais, exigindo do jogador desviar de zumbis, economizar munição e desvendar puzzles interessantes.

Os outros dois terços de jogo são mais “direto ao ponto”, colocando obstáculos apavorantes diante do personagem, como os temíveis Hunters Gama e Beta, mas se limitando a sessões mais rápidas de quebra-cabeças.

A decepção

Depois que Mr. X roubou a cena em Resident Evil 2, perseguindo o jogador em momentos-chave de forma implacável e ameaçadora, adicionando assim mais uma camada de horror à jornada, a expectativa era grande em torno de
Nêmesis.

Só que deu ruim.

O design do monstro é caricato demais, lembrando mais vilão de gibi. E fica ainda mais exagerado a cada nova fase da criatura. Não que seja um desperdício total. Sobretudo na parte inicial as perseguições rendem
momentos de adrenalina: Jill pode morrer com poucos golpes da fera.

Entretanto, no geral, as habilidades e a agilidade de Nêmesis parecem sempre megalomaníacas. Não chega a ser difícil desviar de suas investidas e muitos encontros são completamente roteirizados e previsíveis. Dão
emoção em poucos momentos, o que é realmente decepcionante.

A surpresa

A supresa deste remake – ou reimaginação – fica por conta dos momentos com o personagem Carlos, que o jogador controla em alternância com Jill Valentine durante a campanha.

Percorrer os trechos da delegacia do game anterior é instigante. É surpreendente descobrir como o time de desenvolvedores conectou os dois capítulos, entrelaçando os eventos e ações que ocorrem antes ou depois nos dois jogos.

A empreitada de Carlos no Hospital também é igualmente gratificante, equilibrando bem as doses de ação, terror e suspense. Um personagem que certamente crescerá ainda mais no universo de RE.

Vale a pena?

Resident Evil 3 (2020) não tem o brilho de seu antecessor. A equipe poderia ter expandido um pouco mais a história, os cenários e os eventos do jogo, além de criar uma versão mais aterrorizante e menos previsível de Nêmesis.

Ainda assim, é um ótimo jogo, com gráficos soberbos e bons momentos de ação, suspense e horror (ainda que nem sempre bem equilibrados).

Com algumas ressalvas, vale muito a experiência, tanto para veteranos quanto para novatos na série.

 

Veredito

Resident Evil 3

  • Lançamento: 03/04/2020
  • Desenvolvedora: Capcom
  • Publicadora: Capcom
  • Plataformas: PS4, Xbox One e PC
  • Genêro: Survival Horror
Renan Martins
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