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Análise – The Persistence

análise the persistence

Se há um gênero que esteve (e continua) em alta nos últimos anos é o rogue like. E todo esse sucesso merece muitos aplausos porque, convenhamos, a ideia de se criar um jogo cuja mecânica principal faz com que o jogador volte a estaca zero sempre que seu personagem morre é apavorante. Mas é encarando este desafio de tornar um jogo deste tipo atrativo que os melhores rogue likes surgem e os expoentes deste gênero são aqueles que conseguem equilibrar a mecânica com a frustração do jogador. E já tirando este elefante branco da sala, The Persistence não é um destes exemplos.

O título criado pela Firesprite Games foi originalmente lançado para PSVR em 2018 e, em maio deste ano, recebeu uma versão para os consoles não-VR, surgindo para Xbox One, Nintendo Switch, PC e PS4 (para quem não tem um VR disponível). Trata-se de um rogue like, FPS, procedural e com ambientação de ficção científica/terror, em que você acorda dentro da nave que dá nome ao jogo e descobre que por algum motivo bizarro está à deriva, próximo de um buraco negro e que toda sua tripulação está morta. Sua missão é fazer a The Persistence voltar a funcionar e levá-la de volta à Terra.

O clone, do clone, do clone

Logo no início do jogo você descobre que você, na verdade, não é você mesma, mas sim o seu clone (entendeu?). E esta mecânica de clones é o que dá o pretexto para a porção rogue like do jogo. A cada morte uma nova cópia é gerada e você recomeça desde o início. Explorando a nave você pode descobrir outros membros da tripulação e coletar DNA para ter outros clones disponíveis a cada vez iniciar um novo jogo. Cada um deles possui características específicas que te dão benefícios como maior taxa de coleta de materiais, desconto nas máquinas de armas encontradas etc.

Durante as suas tentativas de cumprir com os objetivos propostos pela história você coleta três tipos de materiais: Fabchips, uma espécie de moeda que é utilizada para comprar armas, bombas e outros artefatos para te ajudar naquela tentativa específica ou para desbloquear melhorias após encontrar diagramas pelo cenário; Células-tronco, coletada em cápsulas ou do corpo dos inimigos e que são utilizadas para melhorar seus clones com mais vida, escudo etc e; por fim, Fichas Érebo, úteis para você aprimorar os equipamentos e armas disponíveis. Estes materiais são acumulativos, ou seja, ao morrer você continua com a contagem que tem até ali e isso permite que, a cada tentativa, você aprimore seu personagem, o deixando mais forte.

Apesar de ser um rogue like, The Persistence possui checkpoints. A cada objetivo conquistado (são cinco ao todo) seu progresso é salvo e, caso você morra, não é necessário completar aquele objetivo novamente. Ou seja, dos rogue likes, The Persistence não é aquele extremamente punitivo em que você perde todo seu progresso.

A frustração

“Mas então Rodrigo, até aqui The Persistence parece ser um rogue like pouco frustrante! Porque você disse aquilo lá no começo do texto?”. Porque a parte boa e legal acaba aqui.

The Persistence tem um cenário procedural, assim como muitos outros rogue likes e isso poderia até ser um desafio interessante se não fosse o fato de que você consegue burlar este sistema a seu favor. Como? Ao entrar na plataforma da nave que você precisa para realizar sua missão, se o cenário processado não for favorável para você (muitas salas pelo caminho e poucas máquinas de vendas de equipamentos, por exemplo), você pode entrar no portal e, em seguida, retornar para a mesma plataforma, desta vez com uma nova configuração. Ou seja, você pode entrar e sair quantas vezes quiser até que consiga obter um cenário favorável (com poucas salas pelo caminho e com muitas máquinas de vendas). Esta quebra prejudica sua imersão e a pouca criatividade e repetitividade dos cenários potencializa isso.

Andar pela The Persistence é até interessante até metade do jogo, mas se torna chato e maçante em sua segunda porção, dada a falta de inspiração para a construção da nave. A pitada de terror dada ao título também não contribui, não passando de sustos aleatórios causados por algum cano que explode, uma placa do teto que cai a sua frente ou alguma criatura que dá um grito do nada.

Uma soma de coisas ruins

Estes fatores se somam e culminam em um jogo que não atrai o jogador para a exploração. Apesar de existir a mecânica de encontrar corpos para gerar novos clones, seus defeitos só possuem uma reação no jogador: terminar aquilo logo. Por isso, em vez de explorar, você acaba decidindo ir direto ao objetivo mesmo para se livrar logo daquilo.

Por fim, como se não bastasse, o salto de dificuldade é gigantesco na penúltima missão do jogo. Até ali, por ser um título que te dá poucos recursos para combate, as salas da The Persistence não são muito povoadas de inimigos, o que te deixa à vontade para usar abordagens diferentes. No entanto, ao final da quarta missão, o jogo se torna uma espécie de controle de horda de mutantes e, meus amigos, foi aí que chegou aquele sentimento que eu citei no início desta análise, a frustração bateu e abandonei o jogo. Sim, se você chegou até o fim deste texto, esta é uma análise de um jogo não terminado. Mas acredito que análises devem conter a experiência com o jogo em questão. E esta foi a minha experiência com The Persistence.

Desta forma, The Persistence é um rogue like que possui boas intenções, mas escorrega em manter o jogador incentivado a prosseguir com seus objetivos e a culpa disso é um mundo pouco atrativo e com dificuldade destoante.

Este review foi produzido por meio de um código de Xbox One recebido da assessoria de imprensa da Firesprite Games.

Veredito

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The Persistence

  • Lançamento: 21/5/2020
  • Desenvolvedora: Firesprite Games
  • Publicadora: Firesprite Games
  • Plataformas: PS4, Xbox One, Nintendo Switch e PC
  • Genêro: FPS e Rogue Like