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Análise: West of Dead

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A atual geração dos consoles (PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch, caso você esteja lendo isso em um futuro um pouco distante) pode ser considerada a geração em que os rogue-likes se solidificaram e começaram a traçar um caminho importante na consolidação de um gênero dentro dos videogames. Nunca antes na história da indústria se viu tantos jogos do estilo sendo lançados e, principalmente, sendo bem recebidos.E eu particularmente ando jogando mais rogue-likes do que imaginei que um dia jogaria. Você pode ver que joguei The Persistence (veja nossa análise aqui) e agora o rogue-like da vez foi West of Dead

Desenvolvido pela Upstream Arcade e distribuído pela RAw Fury (Kingdom: Two Crowns), West of Dead é um rogue-like, twin stick shooter, isométrico, com mecânicas de murinho e foi lançado para Xbox One (incluído Game Pass) e PC (Steam e Game Pass) em 18 de junho (chegará ao PS4 e Switch em agosto). Nele você encarna um pistoleiro do velho-oeste que morreu e se encontra no limbo. Sua missão é desvendar os mistérios da sua morte e até mesmo quem é você.

Em sua missão, você percorrerá fases geradas proceduralmente bastante ambientadas em westerns americanos que basicamente são compostas por salas interligadas por corredores e, em cada uma dessas salas, há inimigos para serem derrotados para então, você poder avançar para a próxima sala do cenário em questão. Ao final de cada fase, o personagem é levado para uma espécie de hub em que é possível comprar melhorias (permanentes ou temporárias) para seu personagem continuar sua jornada, seja ela naquela mesma run ou em uma próxima tentativa porque, como dissemos, West of Dead é um rogue-like. Isso significa que uma morte te leva para o início de tudo.

Como todo jogo do estilo, o principal desafio do título da Upstream Arcade é manter o jogador motivado a continuar tentando, mesmo que você retorne ao início de tudo independente da fase em que você se encontra. Sim, isso significa que se você estiver na oitava tela e morrer você é jogado para o menu inicial e precisa recomeçar tudo novamente.

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Luz e escuridão em prol da beleza

Assim que iniciado, a primeira coisa que chama a atenção do jogador em West of Dead é seu esmero artístico. Na parte visual, o título brinca (e muito bem) com o contraste existente entre a luz e escuridão. Apoiado em seu visual quadrinesco, as salas em que os combates acontecem são em sua grande parte escuras e fazem com que o jogador se movimente dentro delas para iluminá-las com lampiões dispostos no cenário. Ao acender um, seus inimigos são atordoados, o que te dá uma chance de ataque. Mas level design à parte, a brincadeira de escuridão e luz dá o clima do jogo e proporciona identidade visual sem igual para o jogo.

Aliado ao visual, a trilha sonora cai como uma luva para a ambientação, sendo reproduzida basicamente por dedilhados de violão, ou seja, lembra muito as saudosas trilhas do agora também saudoso Enio Morricone (RIP mestre), o que faz com que o clima western fique ainda mais evidente. Mas além de seu papel artístico, a trilha é a grande responsável por guiar o gameplay já que acompanha o que acontece no combate. aumentando seu tom quando o tiro come solto e reduzindo seu compasso quando você eliminou todos os inimigos de uma sala, como uma espécie de indicativo “Está tudo bem, pode sair da cobertura”.

Trilha sonora com bastante identidade de westerns e que te ajudam no combate, indicando quando inimigos são derrotados em uma sala. violão dedilhado, nuances com calma e mais pegada com ação.

Na voz do personagem, uma figura conhecida de muita gente: Ron Pearlman. O ator de Hellboy e Sons of Anarchy dá voz ao pistoleiro em narrações em off que, além de situarem o jogador sobre o que acontece durante a jogabilidade, também fornece informações sobre seus pensamentos e histórias no desenrolar da narrativa. Grossa e com sotaque carregado do interior americano, a voz de Pealman cai como uma luva para intensificar ainda mais a ambientação. Só que também se torna muito repetitiva em determinado ponto, com repetição de frases que chegam a incomodar um pouco. Mas é compreensível, já que não deve ter sido barato contratar o ator.

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Decisões erradas? Talvez!

Apesar de todos suas qualidades, ao jogar West of Dead uma coisa me veio a mente. Será que a decisão de tornar um jogo com essa qualidade artística em um rogue-like foi a correta? E se West of Dead fosse “apenas” um twin stick shooter com mecânicas de estratégia em tempo real (a do murinho e mais algumas outras)? Este questionamento surgiu exatamente por eu imaginar que o fator procedural do título seja, talvez, seu ponto fraco.

No jogo, não há uma variedade enorme de armas, mas há variantes suficientes para que jogador se identifique com algumas delas e se saia melhor com elas durante sua jogatina, escolhendo, por exemplo, sua melhor dupla de armas. No entanto, a impressão que tenho é que o componente procedural do jogo na disponibilização de armas (há baús e armas espalhadas pelas fases que te dão armamento no nível da fase em questão) canibaliza este sentimento, obrigando o jogador a se equipar com armas que estejam no nível daquele cenário, mesmo que ele não goste de utilizar aquele tipo de armamento ou não consegue se desempenhar bem com ele.

Além disso, pensar em West of Dead como um rogue-like pode ter feito a Upstream Arcade fazer vistas grossas à mecânicas que poderiam ser mais polidas em um jogo do tipo, como a da cobertura automática. Assim que você se aproxima de um obstáculo, seu personagem automaticamente entra no modo de cobertura que, ao mesmo tempo, deixa ele mais lento. O sistema prejudica, por algumas vezes, o combate, principalmente em situações em que o jogador precisa agir rapidamente. Outro ponto que precisava de mais atenção é a precisão da mira com o analógico direito.

No entanto, mesmo com os problemas citados, West of Dead é uma grata surpresa no cenário de jogos indies, principalmente para aqueles jogadores que gostam da ambientação western e de tudo que esta temática carrega consigo.

Este review foi produzido por meio de um código de Xbox One recebido da assessoria de imprensa da Raw Fury no Brasil.

Veredito

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West of Dead

  • Lançamento: 18/6/2020
  • Desenvolvedora: Upstream Arcade
  • Publicadora: Raw Fury
  • Plataformas: Xbox One e PC (em agosto para PS4 e Switch)
  • Genêro: Rogue-like e twin stick shooter