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Review | Anthem

Anthem é um RPG de ficção científica lançado em 22 de Fevereiro de 2019 para Xbox One, Playstation 4 e PC. Produzido pela Bioware e distribuído pela EA Games, seria o sucessor espiritual de Mass Effect?

Universo de Anthem

Criado por seres divinos conhecidos como Shapers, os Deuses utilizaram as relíquias ancestrais para criação de todo o universo, ou seja, tudo que podemos ver e interagir. O plano era construir esse universo em 9 dias, mas no 3º dia alguma coisa aconteceu de errado e os Deuses desapareceram.

Com o desaparecimento dos Deuses essas relíquias ancestrais ficaram sem controle algum, começando a reagir ao poder do Hino da Criação, gerando o caos no universo. Desencadeando vários cataclismos que foram destruindo tudo aquilo que foi criado. Durante esses 3 dias de criação várias formas de vida foram criadas e uma delas sendo os humanos, embora fossem mais inteligentes que os demais, teriam que sobreviver a predadores perigosos que estavam os ameaçando diretamente .

Com isso a humanidade passou por um período muito delicado chegando à beira de sua ruína, foi então que um grupo que se destacava dos demais resolveu lutar contra tudo isso e finalmente libertar a raça humana, eis que surgiu a Legião da Alvorada.

A Legião da Alvorada era liderada pela Helena de Tarsis que capturou várias dessas relíquias ancestrais e conseguiu usá-las para criar as armaduras de altíssima tecnologia que ficaram conhecidas como lanças (javelins), as peças de tecnologias mais avançadas que a raça humana já teria criado. Elas serão peça fundamental para exploração do universo e para sobrevivência no meio desse universo parcialmente criado e na beira do caos.

Depois de ajudar a humanidade a ter um pouco mais de sobrevida e conseguir sobreviver àquele caos. A raça humana lentamente começou a se reerguer lentamente esse mundo. Com isso foi construído a Forte de Tarsis, homenagem a líder da legião da alvorada, usado para os humanos viverem e se relacionarem. No jogo, é usado para gerenciamento das lanças, assinar contratos e missões que irão ser exigidas durante toda a jogatina.

Um grupo de membros da legião da alvorada quiseram fazer as coisas por conta própria, ficando conhecidos como freelancers. Não se sabe o que aconteceu com o resto da legião, mas, no jogo vamos controlar um personagem desse grupo, que basicamente foi um  dos que construíram o forte.

Os inimigos de Anthem são basicamente os animais desse ambiente, conhecidos como Scars, e outras facções de humanos dentre elas a mais conhecida e perigosa, o Domínio.

Basicamente são um grupo imperialista que querem dominar tudo e todos, só que buscando sempre a violência. Pretendem controlar o hino da criação de modo contrário ao que a legião da aurora e os Deuses previam. Possuem uma tecnologia avançada e por isso será a principal facção que iremos enfrentar durante toda a história de Anthem.

Para se ter uma imersão melhor ao jogo, é recomendado ter um maior conhecimento da história para entender o que está acontecendo a sua volta e não ficar apenas pegando contratos e entregando aos NPC’s.

Com isso temos um resumo da história de Anthem.

Escolha sua armadura

São 4 tipos de lanças criadas pela legião da alvorada:

Colosso

Poder de fogo pesado com habilidade de ataque muito potente, porém com pouca velocidade. Podemos dizer que essa lança faz o papel da classe do Bárbaro.

Tempestade

Poderes elementais muito fortes, a lança com maior tecnologia dos demais, única que pode planar sem causar superaquecimento, porém como tem uma armadura leve sua resistência é baixa. Essa lança faz o papel da classe do Mago.

Interceptador

A lança mais rápida e ágil dos demais, único com “pulo triplo” pois o acionamento dos demais se assemelham ao pulo duplo. Podendo usar socos e chutes como forma de ataque, enquanto os demais executam aquela famosa cotovelada com a arma. Sua armadura é mais leve e de menor resistência do que a Tempestade.

Patrulheiro

Se você quer agilidade, poder de ataque e com resistência razoável. Essa lança é a ideal, não deixa a desejar em nenhum dos aspectos e vale ressaltar que essa é a que se assemelha mais ao saudoso Homem de Ferro.

Um ponto muito interessante é a customização das lanças, armaduras que semanalmente são renovadas na lojinha. Você inclusive podendo alterar cores e texturas das armaduras. Com isso é possível que cada jogador possa ter uma armadura única. Além de ter também os famosos stickers, adesivos que sua maioria trazem uns traços, faixas ou um forma para complementar o rol de opções na hora de estilizar sua lança.

Muito foi falado da lojinha que seria oferecido itens que poderiam facilitar a evolução do personagem. O que no final das contas não aconteceu. Apenas customizações de aparências que de nada influenciam para agilizar ou auxiliar como uma arma especial ou coisa do tipo.

Jogabilidade e cenários de tirar o fôlego

A primeira vez que ele foi apresentado na E3 foi suficiente para ter uma noção de como a ambientação estaria presente no jogo e que uma das coisas mais interessantes a se fazer seria voar.

Uma das coisas mais gostosas de se fazer em Anthem é voar, a sensação de liberdade junto com a facilidade de controlar as lanças é de elogiar de pé. Me perco às vezes fazendo algumas acrobacias, elaborando pousos mais estilosos.

As lanças sofrem superaquecimento quando muito tempo voando, uma boa dica é voar próximo a córregos ou rios, pois isso mantém a armadura resfriada. Dá para imaginar que até isso foi pensado?

Atirar no jogo também é bem gostoso, a infinidade de armas com levels e categorias diferentes deixam o jogo cada vez mais aberto ao partir para uma expedição.

As armas variam de todos os tamanhos, desde pistola até lança foguetes e snipers de tiros explosivos. As categorias partindo de normal a raros fazem as armas mais potentes e com uma infinidade de bônus.

A ambientação é muito bem feita, a flora e fauna muito bonita e para quem for jogar no Xbox One X ou Playstation 4 Pro os gráficos em 4K aumentam o poder de imagem de Anthem.

Fiquei impressionado com a verticalidade dos ambientes, ao mesmo tempo que estamos em cima de uma torre ou de uma montanha, se entrarmos no rio mais próximo perceberá que não é um simples rio, a profundidade é impressionante com uma vida marinha muito bem desenhada.

Monstros aparecem de todos os tamanhos, se engana aquele que acha que poderá sair atirando e matando a todos pois está portando uma armadura de alta tecnologia.

A dificuldade do jogo varia entre fácil e hardcore. O próprio jogo deixa claro que isso varia com a sua proposta de jogo. Para os que querem jogar sozinho, fácil ou normal, em grupos aleatórios hard, e para os de nível acima de 40 e num grupo de amigos cuja estratégia deve ser o ponto forte da equipe um nível hardcore é muito bem indicado. Vale lembrar que quanto maior o nível de dificuldade maior a chance de drop de armamento raro.

Não temos como não comparar Anthem a Destiny, a proposta dos jogos se assemelham bastante. Porém um dos pontos importante a ressaltar é que teremos conforme prometido pela Bioware DLCs gratuitas para complementar conteúdo ao game. E vamos concordar que isso com certeza é uma coisa que deve ser cada vez mais frequente, temos bons exemplos como The Witcher 3 que por mais que tenha 2 expansões vendidas separadamente, teve 16 conteúdos distribuídos gratuitamente para complementar o jogo base.

Assim como Destiny, Anthem foi desenvolvido para se jogar em grupo,  em Anthem é possível jogar em até 4 pessoas, tanto que não é possível entrar no jogo sem antes se conectar aos servidores. As missões variam desde contratos principais, contratos secundários o mundo aberto e um modo intitulado como Fortaleza que se assemelha a proposta do modo online de Dragon Age Inquisition, onde se enfrenta hordas de inimigos e um boss no final da área.

Para as expedições e para a Fortaleza o próprio jogo pode selecionar aleatoriamente, caso você não esteja com um grupo pré formado, outros jogadores para ingressarem no grupo. O que não acontece no mundo aberto. Você ressurgirá na porta do Forte de Tarsis e basta sair voando e escolher o que deseja fazer. O próprio jogo irá aconselhar certas missões para serem feitas, mas é opcional. Se a sua missão é sair conhecendo o mundo de Anthem, você pode! Porém, caso você esteja em um grupo e deseja partir para o mundo aberto, isso deve ser organizado antes de iniciar a expedição. Caso contrário, você poderá enxergar seus amigos, mas não terá várias funcionalidades que só aparecem em um grupo.

Parecido tanto com Destiny que tem o mesmo problema

Destiny teve várias críticas, a mais recorrente era a repetitividade. E infelizmente isso acontece em Anthem. Os contratos são muito interessantes, os inimigos são bem desafiadores quando se está em níveis de dificuldades maiores. Não posso me esquecer do números de monstros e inimigos que aparecem na hora da batalha. É notável a postura de mostrar a todo momento que ele não é para se jogar sozinho. Mas com o andar da carruagem, as missões se repetem, os ambientes meio que são bem similares. Para um jogo que se propõe pelo menos umas 80 horas para se finalizar. Faltou um certo capricho na elaboração dos contratos.

Um outro ponto negativo, mesmo sua intenção tenha sido das melhores, é o auto respawn quando um integrante fica muito distante dos demais. Isso seria válido se os rushadores de plantão não levassem o grupo todo enquanto a intenção era ficar um pouco mais para dar uma explorada na área para angariar alguns materiais.

Anthem como já foi dito, é obrigatório sua conexão com a internet e outra recorrente crítica é a instabilidade de seus servidores. Relatos de jogadores que em um dia de jogatina caíram 8 vezes do servidor.

Quando paramos para analisar esses problemas, de novo vem a velha pergunta: O jogo foi desenvolvido às pressas? Ou faltou um pouco no desenvolvimento por parte do time?

É um problema que não é de Anthem, Destiny ou de um título específico. Estamos numa época em que se tornou natural um jogo ser lançado e tempos depois sair atualizações ajustando aquilo que deveria ter sido feito antes.

Anthem está disponível para PlayStation 4, Xbox One e PC.

Este review foi produzido com cópia do jogo para Xbox One, cedida pela assessoria de imprensa da EA Games no Brasil.

Vitor Santos
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