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Review – Child of Light e o poder da inocência

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Quando a pequena Aurora se vai
Com seu rubro cabelo solto
A angústia toma teu pai
Que de tristeza se vê, envolto

Esta pequena heroína não morreu
Mas uma nova jornada está para começar
Já que o reino de Lemuria conheceu
E o Sol, a Lua e as estrelas deve alcançar

Salvar Lemuria da escuridão é a sua missão
E para isso, aliados irá encontrar
Eles possuem histórias além da sua compreensão
Mas não pouparão esforços para te conquistar

Gostou da sinopse acima? Se sim, é exatamente isso que você irá encontrar em Child of Light, título desenvolvido pela Ubisoft Montreal, com versões para PC, PS3, PS4, Xbox 360 e Xbox One. Um jogo capaz de despertar a maior das crianças em cada adulto que se dispuser a auxiliar Aurora em sua missão de salvar Lemuria e reencontrar o caminho de casa.

Child of Light quer resgatar em você a inocência da sua infância, quando as coisas eram muito mais simples e “preto no branco” como dizem. Ao decorrer das cerca de 12 horas de jogo, você vai perceber como cada ação, música, apertar de botões e decisões são realizadas sem a necessidade de muito pensamento. Tudo é feito em prol de um bem maior: a felicidade.

A começar pelo seu gênero, Child of Light é um RPG que, vejam só, remete e faz muita menção aos RPGs da sua infância, aqueles japoneses com combates baseados em turnos. Mesmo tendo esta mecânica, nada é complicado durante os combates. O jogo te mostra de maneira clara e simples como tudo funciona e não apresenta milhares de habilidades e magias com que você terá que lidar. É tudo simples, inocente. E é apenas na hora do combate que essa inocência resulta em umas das poucas críticas ao jogo: a ausência real de dificuldade (você nunca está sob risco de morte usando a estratégia correta) e a pouca oportunidade de uso dos demais personagens (você chega a ter oito personagens jogáveis, mas somente dois podem ser usados por vez nas batalhas).

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É muito amor

Tirando isso, Child of Light é só amor. A começar pela forma como a história é contada. Dividida entre uma narração (o jogo é totalmente dublado/legendado em português), que lembra o contar de histórias quando uma criança vai para a cama e diálogos escritos entre os personagens. Tudo isso em forma de poesia com rimas, como o início deste texto. A música que embala a história é simples e intimista e, com seus acordes de violoncelo, piano e violino, parece até uma canção de ninar durante grande parte da sua jornada.

O controle de Aurora e de Igniculus (um fiel elemental de luz), que pode ser guiado por um segundo jogador em modo cooperativo ou por você mesmo no analógico direito (nos consoles) e mouse (no PC) também não exige muito. No começo, a protagonista apenas anda de um lado para o outro, pula plataformas e empurra objetos. Mas não muito tarde o jogo se verticaliza, permitindo à Aurora voar, o que deixa a exploração, adivinhem, mas fácil, simples, inocente.

Inocência essa transposta até mesmo na arte do jogo. Com cores vibrantes e que lembram mais uma aquarela, Child of Light usa a mesma engine gráfica dos jogos anteriores da série Rayman (Origins e Legends) e, apesar de conter códigos e mais códigos de programação, pode muito bem se passar por uma tela em branco, pronta para receber a criatividade e imaginação de uma criança.

A personificação de cada integrante do grupo que corre esta jornada com Aurora é vinda diretamente de qualquer conto de fadas, exalando todo o tipo de emoção que pode existir em uma história. Há a tristeza, a sabedoria, a redenção, entre outras. Merece palmas também a construção, principalmente, das personagens femininas. Aurora, por exemplo, que a princípio quer apenas voltar para casa, não mede esforços em também ajudar o povo de Lemuria em sua missão. Apesar da aparência frágil, Aurora é, na verdade, uma grande guerreira que, apoiada na inocência e bondade que toda criança deve ter, vai em busca de seus objetivos.