AnálisesTextos

Review | Crackdown 3

Jogamos Crackdown 3, o mais novo exclusivo da Microsoft. Confira o nosso review abaixo.

Mostrado pela primeira vez em 2014 na E3, o jogo produzido pelos estúdios Sumo Digital e Elbow Rockete distribuído pela Microsoft Studios prometia demonstrar toda capacidade do processamento em nuvem, ação e diversão com muito tiroteio, um multiplayer inovador e claro, não poderíamos esquecer de comentar do garoto propaganda, o carismático e idolatrado pai do Chris, Terry Crews.

Depois de alguns adiamentos, oficialmente lançado em 15 de fevereiro de 2019, o terceiro título da franquia mostra alguns defeitos de desenvolvimento e uma tecnologia ultrapassada.

O início do jogo mostra todo o poder de Terry Crews em ação, com uma espetacular cena que demonstra o que conhecemos dele e nos coloca dentro do ambiente do jogo.

Ele é o comandante de uma equipe de elite que está em um discurso quando sofrem um ataque, seu corpo é dizimado e parte da equipe morre. No final da cena uma das sobreviventes fala que irá vingar o ocorrido quando o que restou de Terry faz um gesto de positivo com a mão. Confesso que essa cena me elevou o ânimo pra jogar.

Então que você começa o jogo para selecionar os personagens e o Terry está lá para ser usado como jogador (mas ele não estava todo desconfigurado? Sim, essa foi minha primeira decepção!) assim como outros personagens, cada um com sua sinopse contendo sua história e sua habilidade especial, junto de outros espaços de personagens que serão desbloqueados no decorrer do jogo.

Concordo que Terry é um ícone e não poderia ser usado somente na cena introdutória, até pelo tamanho da propaganda que foi feita usando sua imagem, mas então porque desconfiguraram ele na introdução e logo depois ele aparece novinho em folha?

Cada personagem é construído a partir da forma que se joga, um personagem com habilidade em atirar, só atingirá o ápice quanto mais tiros ele disparar, o mesmo com habilidade de força, que quando mais socos der, mais alto será o nível de dano. Mas nada impede de você escolher Terry e elevar todos os três tipos de habilidades no jogo, Tiro, Força e Agilidade.

Eu não tinha jogado nenhum dos últimos dois jogos da franquia, então minha impressão foi a similaridade com a mecânica de Sunset Overdrive: câmera em terceira pessoa, tiros ajudados com a mira automática e os famosos saltos duplos (até triplos depois de um tempo) que te levam a lugares mais altos.

Não vou mentir que o jogo tem uma amplitude de cenário muito boa, prédios e torres extremamente altos que necessitam de muita dedicação para alcançar seu cume. E sem dizer que depois de uma certa altura, a queda é mortal.

Voltando nas habilidades, Força, como já adiantado, é evoluída com o uso excessivo dos socos, a regra para essa habilidade e para a de Tiro é a mesma, quanto mais usar, mais experiente será. Ao contrário da Agilidade que é diferente e consiste em encontrar e coletar orbes verdes, isso amplia sua velocidade (até demais) e depois de alguns níveis, pulo duplo e triplo farão parte do roll de habilidades. Orbes com aumento de vida também existem no jogo, esses em cor vermelha, e seguem a mesma mecânica do anterior.

O ponto negativo aqui é que ao contrário do que temos em Forza Horizon, em que os coletáveis ficam sendo mostrados no mapa, Crackdown 3 não os aponta no mapa e torna sua procura um tanto quanto entediante quando você deixa para coletar depois aquela orbe pois esta no meio de alguma missão.

Falando em coletáveis, lembram que comentei que personagens seriam liberados? Usando a mesma proposta das orbes, os restos dos personagens mortos no começo do jogo podem ser localizados no mapa e liberados para jogar. Esses por sua vez ficam sendo mostrados no mapa, mas vou confessar que senti dificuldade em saber quais os restos que já havia liberado e quais não.

Deixando um pouco de lado a mecânica, vamos abordar um pouco do jogo e sua evolução.

Depois de ser dizimado e parte de sua equipe morta, seu personagem (independente de sua escolha) começa o jogo somente com os movimentos básicos, andar, pular, bater e atirar. Todos em sua pior qualidade. E não preciso falar que a arma é ruim também neh?

A evolução é simples e muito intuitiva, apesar de o tutorial ser bem detalhado: enfraqueça uma área e terá acesso ao chefe e outra área será aberta.

A lista dos chefes seguem a mesma proposta do Sombras de Mordor, em que  você começa enfrentando inimigos de títulos inferiores e com isso chegará ao título de cargo superior.

Para enfraquecer as áreas existem as missões que variam desde matar soldados, libertar reféns e diminuir a toxidade de um local específico.

Como disse, tudo é simples e intuitivo, tanto que com o decorrer do jogo isso chega a mais um ponto negativo, que na minha opinião é o mesmo de Sombra de Mordor, a repetitividade. As missões do começo do jogo serão as mesmas do final do jogo, mudando apenas a dificuldade e a arma que você estará usando. Lembrando que o mapa é demasiadamente pequeno, comparado com lançamentos recentes, mesmo levando em conta que esse jogo não é um mundo aberto. O mapa é uma cidade, não tão grande como São Paulo, mas também não tão pequena como uma cidade de interior.

Outra percepção que tive é sobre sua diversão. Podemos dizer que até diverte, mas isso vai mudando com a repetitividade que comentei, e isso pode e será resolvido se você tiver jogando o modo cooperativo. Vocês podem avançar juntos na campanha, isso significa que se você fizer a missão em co-op ela será também dada como completada no seu jogo individual.

E isso é um ponto que acredito que seja proposital, temos outros exclusivos da Microsoft, como Sea of Thieves e State of Decay 2 que nitidamente foram feitos para se jogar em modo cooperativo. E entendo válida essa proposta desde que tenhamos jogos bons e que seu conteúdo seja muito bem elaborado, coisa que deixa um pouco a desejar em Crackdown 3, infelizmente.

Grande parte das reclamações da mídia e dos jogadores se refere a falta de diversão do jogo, que acredito que isso seja boa parte por conta da falta de inovação da franquia, diferente do que vimos em títulos como o mais recente God of War e Red Dead Redemption 2.

Agora que falei sobre o modo singleplayer e cooperativo, vamos abordar o multiplayer.

A maior e mais inovadora demonstração de destruição em massa e tudo isso com processamento em nuvem, deixando o jogo mais fluido e fazendo com que todo, digo todo mesmo, ambiente seja possível ser destruído. Essa foi a promessa que tivemos na E3 e em todas as notÍcias que vinham sendo circuladas pelas midias e pela própria Microsoft.

E o que temos é um gráfico datado, para quem conhece e jogou Halo 5, lembram que tínhamos mapas naquele laboratório para que fãs criassem seus mapas? Eles tinham uma qualidade gráfica um pouco inferior por conta de não ter sido elaborado pela produtora. A imagem do multiplayer de Crackdown 3 consegue ser pior e sua destruição do cenário é absurdamente horrorosa, são pedaços de placas que ao serem acertadas se descolam e desaparecem.

Não é uma cidade como temos em Battlefield ou em Call of Duty, são terrenos planos com alguns pilares que se podem alcançar com “jumps” ou até com o pulo triplo, pois diferente do modo história, os personagens aqui vem com todas as habilidade evoluídas e liberadas no máximo. Ah, mas eles são frenéticos! Sim, isso é verdade, facilmente os distraídos vão morrer em menos de 10 segundos. Mas isso quando se encontra a sala, outro problema do multiplayer.

Os modos de batalha são simples, deathmatch (o famoso mata-mata), tomar território e o também tradicional “rouba bandeira do campo inimigo e traga para o seu”. Resumindo, para iniciar o multiplayer, você escolhe o modo, o personagem, seu set de armas e corre senão você morre.

Por incrível que pareça achei mais divertido o modo singleplayer do que me aventurar no multiplayer que é demorado, pois não encontrava sala facilmente, tem lags (achava impossível isso pois seu processamento é na nuvem), cenários muito feios mesmo jogando no Xbox One X e sua destruição é muito superficial. Levando em conta tudo que foi prometido e ter isso como produto final, vejo que o maior problema desse jogo foi ele ser elaborado por duas empresas diferentes. A Sumo Digital ficou responsável pelo modo história e a Elbow Rocket ficou responsável pelo modo multiplayer. Tanto que são dois jogos que estarão disponível no console Crackdown 3: Campaing e Crackdown 3: Wrecking Zone, respectivamente.

 

[wp-review id=”11463″]

Este review foi produzido com cópia do jogo para Xbox One, cedida pela assessoria de imprensa da Microsoft no Brasil.

 

Vitor Santos
Últimos posts por Vitor Santos (exibir todos)