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Review | ONRUSH

Overwatch é unanimidade. Não há uma pessoa que não consiga, com um mínimo esforço e um pouco de boa vontade, elencar o quanto o título da Blizzard é relevante nas mecânicas que apresenta e o quanto ele mudou a dinâmica de jogo de combate em equipes. Não é a toa que ele é celebrado por ser um shooter competitivo em que até você (e eu também), que não tem aquela habilidade em jogos de tiro de primeira pessoa, consegue sentir que contribuiu com algo para o time em que faz parte.

Mas o que mais impressiona realmente é como a indústria dos jogos não havia pensado, até o momento, em transpor a fórmula mágica de Overwatch para um jogo de outro gênero, com o mesmo dinamismo e cheio de ação. Isso aconteceu até 2018, quando a Codemasters e a Deep Silver se uniram e lançaram para Xbox One, PS4 e PC, ONRUSH, o jogo de carros (não é um jogo de corrida) a là Overwatch.

Se você se lembra de Motorstorm, você vai saber do que se trata ONRUSH. Muito do DNA do jogo produzido na época pela Evolution Studios você pode ver aqui. Não é à toa, já que boa parte da equipe da Codemasters que produziu ONRUSH é remanescente daquela produtora. Não é um jogo de corrida porque não há um grid de largada e uma de chegada. Aqui, os carros são como personagens, cada um com suas habilidades (há veículos especialistas em ataque, alguns em defesa e outros de suporte) e cada prova é uma espécie de modo de jogo. A meta? Ganhar a partida, realizada sempre entre equipes de cinco veículos, seja fazendo o maior número de pontos, seja atravessando o maior número de portões, seja capturando mais áreas etc.

ONRUSH tem seu modo campanha, que você pode jogar sozinho ou até mesmo com amigos em co-op e também, claro, um multiplayer, com partidas de cinco contra cinco jogadores. O título ainda disponibiliza um modo com partidas ranqueadas, que até o momento em que jogamos, não havia sido liberado.

Na Campanha você participa de eventos com objetivos individuais e coletivos. Os individuais, por muitas vezes, exigem algumas proezas do jogador como abater um determinado número de rivais, realizar sei lá quantos números de manobras etc. Ao completar estes desafios você ganha pontos que, acumulados, desbloqueiam novos eventos da campanha. A cada partida você também recebe créditos que podem ser utilizados para comprar cosméticos para seus personagens, como novos trajes, comemorações e skins para os veículos.

Os modos de jogo presentes em ONRUSH são Overdrive, Countdown, Switch e Lockdown. O Overdrive pode ser considerado o modo tradicional em que o objetivo é pontuar mais que o adversário e, para isso, o jogador deve realizar todo tipo de ação possível dentro da partida, de manobras a abates de oponentes. Em Countdown o objetivo é atravessar o maior número de portões a fim de adicionar tempo a uma contagem regressiva da sua equipe, isso evita que o contador chegue ao zero antes do contador do adversário e faz com que você vença, claro. Switch é, talvez, o modo mais divertido. Aqui, o caos é a lei e ganha quem conseguir mais abates. Cada jogador da equipe possui três vidas e o objetivo é esgotar as vidas do oponente primeiro, tirando os jogadores que ainda possuem vidas do jogo. Por fim, o modo Lockdown é semelhante a uma conquista de território. As equipes precisam alcançar uma área que se movimenta na pista e permanecer nela por um período de tempo para captura-lá. Quem conseguir mais áreas capturadas ganha a partida.

ONRUSH é divertido e é um daqueles jogos que você sempre quer jogar mais uma partidinha, buscar aquele objetivo de um evento que você não conseguiu fazer. No entanto, não é imune a problemas. Ao mesmo tempo que a ação frenética e incessante é um ponto positivo por deixar os combates atrativos e divertidos, também é o calcanhar de aquiles da jogabilidade e um dos motivos de frustrar o jogador que tenta ser mais agressivo nas partidas. Até mesmo o Rush, espécie de Supremo do Overwatch, quando é habilitado em alguns veículos, mais atrapalham do que ajudam. No Titan, por exemplo, quando se habilita você não enxerga mais nada na pista. Assim, uma colisão que te tira da partida por alguns segundos é inevitável.

Um outro problema é que ONRUSH, algumas vezes, parece incentivar os objetivos individuais da partida em detrimento à vitória nelas. Em alguns eventos notei que vencer não era requisito e para ganhar pontos bastava apenas participar deles. A dissonância aqui é um ponto crítico porque se não há necessidade de vitória, também não há necessidade de contribuir com uma equipe, o que, por essência, vai na contramão do que o jogo propõe.

Porém, mesmo com estes percalços, ONRUSH é competente na tarefa de divertir o jogador com uma jogabilidade fluida, acompanhada de uma trilha sonora contagiante e uma dublagem em português que não deve em nada para produções de calibre mais alto como as da Blizzard, conhecidas pela qualidade do trabalho realizado em território nacional.

 

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Este review foi produzido com uma cópia do jogo de Xbox One cedida pela assessoria de imprensa da Deep Silver no Brasil.