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Review | The Crew 2

A Ubisoft vem se especializando em produzir bons segundos jogos. Foi assim com Assassin’s Creed 2, com Watchdogs 2 e com muitos outros. Parece que a experiência não tão satisfatória dos primeiros títulos ensina a empresa a corrigir os erros e, além de não repeti-los, explorá-los em busca do que poderiam ter feito de melhor. Quando The Crew foi lançado, lá em 2014, a proposta de um mundo gigante e completamente interativo em um game de corrida foi bem recebida, mas sua execução bastante criticada, principalmente pela repetição de jogabilidade e físicas de veículos pouco eficientes. Agora, em 2018, a Ivory Tower e a Ubisoft chegam com The Crew 2, com uma proposta ainda mais audaciosa, elevando a magnitude do primeiro jogo a outro patamar.

Nesta sequência, os Estados Unidos se transformaram em Motornation, uma gigantesca reprodução do mapa americano em que todo cantinho é acessível e deve ser visitado. Além da reprodução de alguns dos mais icônicos pontos turísticos do país, o mapa possui inúmeras atividades que proporcionarão muitas horas de jogo.

As provas, em todas as suas variedades e diferenças, possibilitam que o jogador teste suas habilidades nos mais diversos tipos de carros, motos, lanchas e aviões. Essas categorias são divididas em disciplinas que variam de corridas, provas de velocidade, destruição, acrobacias, entre outras. Assim, The Crew 2 já acerta em oferecer diversidade ao jogador e este aspecto contribui para que a experiência não seja repetitiva como no primeiro jogo da franquia.

Com tanta coisa pra se fazer você deve imaginar que pode ser difícil escolher o que realmente fazer em The Crew 2. Porém, infelizmente não é assim. Mesmo com a massividade de atividades propostas, em razão do tamanho do mapa disponibilizado, não é raro você se deparar dirigindo, navegando ou voando por um bom tempo sem encontrar algo a ser feito. Pelo menos, se você é daqueles que não liga muito para exploração e quer ir direto para a ação, The Crew 2 te dá a possibilidade de ir rapidamente para os eventos já desbloqueados acessando o menu do jogo. Mas se preferir explorar lentamente o mapa, atividades como os desafios de fotografia poderão te dar algumas horas de diversão.

Se há algo que a Ivory Tower não evoluiu com relação ao primeiro título é a criticada física de veículos e colisões. Em The Crew 2 ainda é estranho saltar rampas e colidir com seus veículos nos obstáculos existentes pelo cenário. Nos saltos, os carros parecem ganhar peso repentinamente nas descidas e se estatelam no chão como uma rígida chapa de aço, sem amortecimento, sem nada. As motos parecem de papel ao subir e descer as rampas das provas de motocross, o que dificulta inclusive seu controle ao pousar. Dos veículos disponíveis, os barcos são os que se comportam da melhor forma e não soam estranhos ao controle do jogador.

Além disso, a inteligência artificial dos inimigos poderia receber um pouco mais de atenção. Elas incentivam o jogador estar sempre em disputa por posições, seja para o bem, quando você está nas últimas posições, seja para o mal, quando você é o primeiro colocado. É é exatamente quando você está fazendo seus adversários comerem poeira que a falta de equilíbrio é mais nítida. Não importa o quão habilidoso você seja, é muito difícil disparar e ganhar dezenas de segundos de seus rivais. Você chega a se perguntar como que aqueles rivais que você ultrapassou com tanta facilidade há 30 segundos atrás agora correm como se fossem a reencarnação de Ayton Senna. Você pode até achar que está com uma certa vantagem, mas um erro bobo te coloca do primeiro para o sétimo lugar em um piscar de olhos. Em uma corrida de costa a costa, que dura 40 minutos, isso pode ser bastante frustrante.

Mas afinal, a Ubisoft manteve sua escrita de acertar em seus segundos títulos com The Crew 2? Apesar dos pesares já citados, sim. Neste segundo título a Ivory Tower e a Ubisoft esqueceram a história insossa e desestimulante do primeiro jogo para dar mais protagonismo ao jogador, que agora pode escolher seu avatar para desafiar os reis de Motornation. Além disso, o sistema de RPG inserido no primeiro jogo foi ampliado e em The Crew 2, seu personagens e os carros podem ganhar atributos conforme você vença campeonatos e aumente o seu prestígio, medido pela quantidade de seguidores nas redes sociais que você conquista a cada feito realizado dentro do jogo.

Com os veículos, além dos pontos que você pode distribuir, existem as peças que são coletadas a cada prova. Como uma espécie de loot box, a cada corrida realizada você ganha itens para melhorar seus veículos e esta funcionalidade é bem executada durante seu percurso e permite que você esteja sempre competitivo nas partidas que disputa, não o obrigando a comprar veículos novos frequentemente.

Ao final, mesmo com alguns problemas que ainda persistem do jogo anterior, The Crew 2 se mostra uma ávida renovação da franquia, que deposita seu ponto forte na diversidade de atividades oferecidas, evitando cair na mesmice, conhecido calcanhar de aquiles de jogos de mundo aberto.

 

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Este review foi produzido com uma cópia de Xbox One cedida pela assessoria de imprensa da Ubisoft no Brasil.