AnálisesTextos

Review | The Darwin Project

Jogos battle royale estão aí. Se você ainda é um membro da resistência e nunca experimentou algo do gênero, você está cada vez mais cercado. Depois do sucesso estrondoso de Playerunknown’s Battlegrounds e da ascensão meteórica de Fortnite, é inevitável que o gênero seja explorado em outros jogos (a série Battlefield, por exemplo, já anunciou que terá o modo em seu próximo título). E é ainda mais inevitável que novos jogos em que o último vivo é o vencedor surjam na indústria.

Produzido e distribuído pela Scavengers Studios, The Darwin Project é um deles e se mostra um bom jogo de sobrevivência em todos os aspectos desse gênero. Aqui, você precisa sobreviver não somente aos demais jogadores, mas também ao clima e outras ameaças no mapa.

Em The Darwin Project, dez jogadores são lançados em um mundo hostil, em que, além de matar os inimigos, devem lutar pela sobrevivência combatendo o clima, por exemplo. Você é lançado aleatoriamente em um mapa hexagonal composto por outros hexágonos que, de tempos em tempos, são eliminados do mapa, obrigando os jogadores a se movimentarem. Neste mundo, sua obrigação é sobreviver às ameaças e aos demais competidores e para isso, buscar recursos para entre outras coisas, plantar armadilhas e conseguir benefícios como escudos, flechas de outros materiais.

Apesar da premissa de sobrevivência, The Darwin Project estimula a todo momento o combate entre os jogadores, já que praticamente toda ação realizada por você pode ser rastreada e denunciar sua posição para os demais participantes. Quase tudo gera um risco x recompensa. Você precisou fazer uma fogueira para se aquecer? Jogadores irão visualizar a fumaça e ir atrás de você. Precisou coletar madeira? Os restos de materiais deixados no local podem servir para outros jogadores te rastrearem.

É uma pena que toda essa perseguição frenética não culmine em um combate competente. Ao mesmo tempo em que The Darwin Project está a todo momento te denunciando, ele também está a todo tempo mostrando o quanto o confronto entre os jogadores precisa evoluir. Munido de arco e flecha e uma arma corpo a corpo, as batalhas entre jogadores se resumem a um balé de pulos frenéticos, em que ganha aquele que conseguir acertar a lebre primeiro. É um tanto frustrante perceber que nesse aspecto The Darwin Project ainda precisa amadurecer muito.

Porém, o jogo brilha mesmo com o modo Diretor. Nele, você decide o que cada jogador deve receber como benefício ou punição. É essa funcionalidade que faz o título da Scavengers Studios ser um grande Big Brother dos jogos battle royale, dando o poder ao espectador de direcionar a partida. Muitos streamers utilizam a função, inclusive, para interagir com a sua audiência, dando a oportunidade dela escolher as ações tomadas no jogo.

Neste modo Diretor você assume o papel de um drone onipresente e onipotente que pode ditar os rumos do combate, punindo e/ou beneficiando jogadores. Você pode ir a qualquer lugar e seguir qualquer jogador com um simples toque de botão e colocar em prática a sua boa ação do dia (ou má, você escolhe). Como Diretor você pode curar e aquecer jogadores, bloquear zonas para que todos tenham que fugir, criar tempestades de gravidade que permitem aos jogadores pular muito alto e até mesmo lançar bombas que matam todos na zona.

Porém, o Diretor não é tão onipotente assim, já que para disparar esses artifícios, pontos de ação são gastos, que se recuperam aos poucos, com o tempo. Isso evita que o Diretor tenha controle total do jogo, deixando ainda o jogador com um pouco de protagonismo sobre as ações realizadas.

Por se tratar de um jogo que possui inúmeras formas de ser abordado, já que ele possibilita a instalação de armadilhas, que deixa o jogador eliminar seus inimigos de forma indireta, o papel do Diretor da partida, como já vimos, é fundamental para deixar o jogo atrativo. No entanto, ao mesmo tempo, pode ser um tiro no pé porque ninguém quer insistir em um título se é constantemente prejudicado por aquele que detém o poder de direcionar os rumos do confronto.

Mesmo assim, The Darwin Project, que agora é free to play no Steam, é uma boa opção para aqueles que querem experimentar o gênero battle royale. Mesmo com problemas com o combate, a imprevisivilidade das partidas provocada pelo Diretor pode ser um atrativo para os novos jogadores. E é nisso que The Darwin Project precisa apostar para não ser somente mais um jogo no mar de battle royales existentes.

 

[wp-review id=”8245″]