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Xbox Series X vs PlayStation 5 – As diferentes estratégias de divulgação

O mês de março de 2020 foi agitado no mundo dos games. Tanto Microsoft quanto Sony detalharam as especificações técnicas dos seus consoles de próxima geração. A primeira, divulgou em seu site (aqui) um texto explicando as principais funcionalidades do console, bem como disponibilizou vídeos demonstrativos de algumas delas. A MS também liberou o acesso ao console físico a alguns YouTubers e para a Digital Foundry, que desmontaram e montaram o hardware em frente às câmeras, e produziram conteúdo falando ao público em geral sobre detalhes do console e sobre o lado técnico. 

Já a Sony, divulgou publicamente uma apresentação técnica, que seria originalmente apresentada durante a GDC (Game Developers Conference), que é um evento essencialmente direcionado aos desenvolvedores de games. Tal conferência ocorreria entre os dias 16 a 18 de março deste ano, porém, devido à pandemia do coronavírus, ela foi adiada para agosto. Um texto sobre o que foi apresentado foi disponibilizado no Blog da marca (aqui).

O intuito deste texto não é discutir as diferenças técnicas dos consoles, mas sim sobre a estratégia adotada por cada empresa na divulgação de seus planos para o público em geral. Mas para refrescar a memória, seguem abaixo as especificações:

O lado verde da força

A Microsoft aparenta ter confiança plena em seu produto. Além de divulgar as especificações técnicas, demonstrou diversas funcionalidades em vídeos voltados ao público em geral. Também já mostrou a “cara” do console e o seu novo modelo de controle. Em dezembro de 2019, ela divulgou um teaser de Hellblade 2, que estaria rodando rodando no novo console.

A abordagem da MS está cativando os gamers, já que tem mostrado de forma direta e constante novos conteúdos sobre seu mais novo console. Parece que a empresa aprendeu bastante com os erros cometidos quando do anúncio do Xbox One.

O lado azul da força

A Sony optou por divulgar ao público geral (com anúncio via redes sociais oficiais inclusive) que disponibilizaria uma apresentação sobre detalhes do novo console, sendo que na verdade, o público-alvo deste conteúdo eram os desenvolvedores. Na minha visão, o erro foi justamente esse. Por óbvio, a galera achou maçante e não curtiu a apresentação. Sequer a aparência do console foi apresentada. Faltou criar aquela ligação com os gamers, que estão cada vez mais ansiosos por notícias dos consoles da nova geração.
Talvez a Sony esteja apostando na sua posição de líder da atual geração. Até porque, com a estimativa de mais de 100 milhões de PlayStations 4 vendidos até o momento, a empresa acredita que a tendência natural é que um proprietário de PS4 tenha a pré-intenção de continuar a apoiar a marca, sendo um potencial comprador de um PS5. Assim, ela se sente bem mais confortável em segurar as informações e detalhes de seu novo console, afinal, quem tem que correr atrás do prejuízo é a concorrência.

Outro trunfo que a Sony tem, e que alimenta a expectativa de se manter na liderança, são os seus jogos exclusivos, como Spider-Man, “novo” God of War e Horizon Zero Dawn (só para citar games que possivelmente terão suas  continuações lançadas para o PS5), além do grande poder criativo de suas desenvolvedoras first party, que sempre criam histórias envolventes, com invejável qualidade técnica nos gráficos e jogabilidade.

Jogos, o que realmente importa

A Microsoft tentou correr atrás do prejuízo na questão do jogos exclusivos nos últimos anos, adquirindo diversos estúdios, totalizando no momento 15 desenvolvedoras, que integram o Xbox Game Studios. Além dos games exclusivos destas desenvolvedoras, outro fator importantíssimo na estratégia da Microsoft é o já consagrado serviço Xbox Game Pass, que desde sua estreia traz os games das desenvolvedoras Xbox Game Studios ao catálogo, desde a data de seus lançamentos. 

No fim das contas, o que vai importar mesmo são os games de cada console. Vejam só o Nintendo Switch, que, embora seja o mais fraco dos consoles atualmente comercializados, é o que tem maior fluxo de lançamentos de jogos, e conta com o incrível leque de franquias da Nintendo, que produz com extrema qualidade e excelência seus games. 

Cenas do próximo capítulo

Ainda não sabemos o calibre dos lançamentos dos novos jogos e franquias dos novos estúdios da Microsoft. Claro que as franquias que já conhecemos são de extrema qualidade (como Gears, Forzas e Halo), mas a Microsoft precisa expandir seu universo de títulos exclusivos, para que se seu catálogo se torne mais consistente, principalmente nos games exclusivos single player. Mas o horizonte da Microsoft parece promissor, e ela sabe que não há espaço para erro, tendo em vista que na geração do Xbox One ela deixou escapar a oportunidade de lutar de igual para igual com a concorrência.

Já do lado da Sony, como já comentamos, há certa expectativa acerca de seus jogos exclusivos. O retrospecto positivo é grande, e há uma legião de fãs que confia de olhos fechados nos estúdios da Sony. O Playstation Now tem um catálogo respeitável de jogos, mas nada que se aproxime do Xbox Game Pass. No PS Now os lançamentos das first party não entram desde o lançamento em seu catálogo, levando bastante tempo para que isso ocorra. Cabe ressaltar, que quando entram, tem prazo para sair. No Xbox Game Pass, os jogos da Microsoft não deixam o catálogo.

Só nos resta aguardar as próximas divulgações das empresas, especialmente a divulgação dos jogos para o lançamento dos consoles, pois no fim das contas, nosso hype é movido pelos jogos!

Gustavo Vegas
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